Governo de Minas Gerais escolheu 25 projetos de alto risco da Vale como “prioritários”

Desde 2017, o governo de Minas Gerais avaliou a portas fechadas 108 projetos privados no estado. O objetivo: facilitar o licenciamento ambiental e reduzir a fiscalização. Desses, 25 projetos são da Vale, quase todos classificados como de alto risco – entre eles a mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, cuja barragem se rompeu em janeiro de 2019, matando 259 pessoas e deixando 11 desaparecidos até o momento.

A análise é feita por meio da Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri), vinculada à Secretaria do Meio Ambiente. A criação do órgão não passou por grande debate e foi incluída dentro de uma lei aprovada em 2016. O financiamento de mineradoras pode estar por trás. O ex-governador Fernando Pimentel (PT) recebeu R$ 1,5 milhão de doação da Vale na campanha de 2014.

Essa longa investigação foi publicada em parceria com a Mongabay em janeiro, com documentos e vídeos que mostram a extensão das relações da Vale com órgãos do governo de MG.

Esse projeto foi desenvolvido junto com a Transparência Internacional – Brasil e a Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio de jornalistas investigativos fundado na Europa e com presença em todo o mundo.

Leia as duas partes:

Governo de Minas favoreceu 25 projetos de alto risco da Vale. Brumadinho é apenas um deles

Retomada de operação da Vale em Mariana mostra caminho que pode se repetir em Brumadinho

Maurício Angelo

Jornalista investigativo especializado em mineração, Amazônia, Cerrado e conflitos socioambientais. Fundador do Observatório da Mineração. Como freelancer, publicou matérias na Repórter Brasil, Mongabay, Intercept Brasil, Folha de S. Paulo, UOL, Investimentos e Direitos na Amazônia e outros. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (2019).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *