BNDES zera participação na Vale e mineradora já tem quase 60% de controle estrangeiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) vendeu o último bloco de ações que detinha da mineradora Vale por R$ 11,2 bilhões e completou o ciclo esperado pelo mercado de se desfazer totalmente da participação que detinha na Vale desde a questionada privatização feita por Fernando Henrique Cardoso em 1997.

Esse movimento acontece a partir da expiração de um acordo de acionistas em novembro do ano passado que fez com que o controle da mineradora agora possa ser pulverizado, sem um bloco de controle obrigatório.

O acordo estava vigente entre Litela e Litel —que reúnem fundos de pensão estatais incluindo Banco do Brasil, Petrobrás e Caixa Econômica Federal —, Bradespar (do banco Bradesco), Mitsui (um dos maiores conglomerados japoneses), e BNDESPar (do BNDES).

Estas empresas passaram a poder vender os 20,6% de suas participações na Vale que estavam bloqueados.

Com essa mudança, o BNDES se apressou em vender suas ações. Menos de uma semana depois da alteração, em 16 de novembro de 2020, o BNDES vendeu 40 milhões de papéis da Vale, no valor de R$ 2,5 bilhões. O comprador foi o banco norte-americano Morgan Stanley.

Em agosto, o BNDES já havia vendido R$ 8,1 bilhões em ações da mineradora. No total, o banco embolsou R$ 24 bilhões com a venda da participação na Vale. Essas operações são capitaneadas pelo presidente do BNDES Gustavo Montezano, nomeado por Jair Bolsonaro e amigo desde a infância de Eduardo Bolsonaro. Montezano foi sócio do banco BTG Pactual, do qual Paulo Guedes é um dos fundadores.

A tendência é que outros fundos de pensão sigam o mesmo caminho do BNDES, fazendo com que a Vale passe a ter cada vez menos presença estatal direta e indireta no controle de acionistas.

Quase 60% de domínio estrangeiro

Ainda não veio a público quem comprou a última leva de ações do BNDES em 2021, se novamente o Morgan Stanley ou outros investidores.

As recentes movimentações, no entanto, marcam uma relevante mudança no controle da mineradora que persistia desde 1997.

No começo do governo Lula, o BNDES, sob a gestão de Carlos Lessa, fez um movimento estratégico de compra de ações da mineradora detidas pela fundação dos empregados da companhia. O objetivo foi evitar que essas ações caíssem em mãos de estrangeiros.

O que estamos vendo agora é o movimento inverso. Além do Morgan Stanley, outras grandes instituições financeiras mundiais como Santander, J.P. Morgan Chase e UBS também são acionistas da Vale.

Entre os principais investidores internacionais da Vale estão as americanas BlackRock, a Capital Research Global Investors e a Vanguard – que juntas acumulam mais de US$ 11 bilhões em ações.

A Capital Research, por exemplo, tem aumentado sistematicamente a sua participação na Vale, administrando 5,11% das ações ordinárias da mineradora em dezembro de 2020.

Na prática, o pool de investidores estrangeiros, que já representava cerca de 55% do controle acionário da mineradora, deve se aproximar dos 60% com as vendas do BNDES. A Vale é a empresa de maior valor de mercado na bolsa brasileira, superando R$ 500 bilhões.

De modo geral, essa era a situação das ações da Vale em janeiro de 2021.

O governo brasileiro, no entanto, ainda detém as chamadas golden shares, ações preferenciais de classe especial que dão direito de veto em questões como liquidação da empresa, mudança do objeto social relativa à exploração de jazidas minerais e qualquer alienação ou encerramento das atividades de várias etapas dos sistemas integrados da exploração de minério de ferro.

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