Em 6 de julho de 2026, a Sigma Mineração S.A. (Sigma Lithium), por seus advogados, enviou ao Observatório da Mineração notificação extrajudicial a respeito da reportagem “Polícia Federal indicia empresários, diretor-geral e alto escalão da ANM por organização criminosa e outras acusações em novos relatórios”, publicada em 27 de junho.
A empresa pede a retirada de “toda e qualquer menção” ao seu nome no trecho “Do ferro ao lítio” e que o Observatório se abstenha de novas publicações que a associem a ilícitos ou a investigações das quais não faça parte. A Sigma sustenta, ainda, que “não tem, e nunca teve, qualquer relação com a Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta”, nem participou do estudo técnico que embasou a redução da APA Chapada do Lagoão.
O Observatório da Mineração reitera o conteúdo da reportagem e faz três esclarecimentos.
Primeiro: o texto não afirma — nem sugere — que a Sigma seja investigada, indiciada ou integrante da organização criminosa apurada nas operações Rejeito e Parcours. A reportagem descreve a empresa como uma das mineradoras de lítio interessadas na região do Jequitinhonha que seriam eventualmente favorecidas pela redução da área de proteção ambiental, informação de interesse público e apoiada em documentos, a partir de outra matéria publicada em setembro de 2025, “ONG citada na Operação Rejeito pagou estudo que reduziu mais de 50% de APA no Jequitinhonha, favorecendo mineradoras de lítio”.

Segundo: a afirmação da empresa de que “nunca teve qualquer relação” com a Zeladoria do Planeta é contrariada por registro público da própria empresa. Em novembro de 2023 a Sigma Lithium recebeu da entidade um prêmio de “Gestão Ambiental”. A publicação, nas redes sociais da Sigma Lithium, afirma que a mineradora recebeu “com muito orgulho” o reconhecimento concedido “pela respeitada ONG”. A publicação traz na foto Fernando Benício de Oliveira Paula, dirigente da Zeladoria do Planeta, conselheiro do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental) e indiciado pela PF na Operação Rejeito por organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental (documento falso). O Observatório não afirmou que a Sigma tenha contratado ou custeado o estudo que reduziu a APA; a menção diz respeito ao interesse da empresa na região.
Terceiro: esta é a segunda vez que a Sigma recorre à via da notificação extrajudicial contra o Observatório. A primeira, de maio de 2025, motivou repúdio de entidades como a Abraji e a ABA e apurações por MPF, MPMG, DPU e pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos (FIDH) sobre a intimidação ao veículo. Nesse intervalo, o Observatório publicou diversas reportagens sobre a empresa sem que ela se manifestasse pelos canais ordinários de assessoria de imprensa.
O Observatório da Mineração, que já registrou na reportagem original a tentativa de ouvir a empresa, reitera que o espaço permanece aberto: manifestação objetiva da Sigma sobre os fatos será integralmente publicada, na forma da prática jornalística.
Também reiteramos nosso compromisso com o jornalismo e reforçamos a importância de que a Sigma, em respeito à transparência e ao debate público, utilize os canais institucionais de relacionamento com a imprensa para prestar esclarecimentos, abstendo-se de recorrer a expedientes que possam consubstanciar assédio judicial ou tentativa inconstitucional de censura e intimidação.
Descubra mais sobre Observatório da Mineração
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
