Por Lucas Ragazzi, do O Fator, e Maurício Angelo, do Observatório da Mineração
A Polícia Federal concluiu os inquéritos das operações Rejeito e Parcours e indiciou 34 pessoas na primeira e outras 17 na segunda, sob a suspeita de integrarem uma organização criminosa dedicada a explorar ilegalmente minério de ferro em áreas tombadas da Serra do Curral, em Minas Gerais.
Relatados pela corporação na mesma semana e obtidos pelo O Fator, os dois documentos alcançam desde o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Sousa, até empresários que voltam a aparecer, mais uma vez, no centro do esquema — caso de Lucas Prado Kallas.
Embora apresentados como inquéritos distintos, os relatórios contam a mesma história. A PF trata a Parcours — focada na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte — como conectada à Rejeito, com base em provas compartilhadas que remontam à Operação Poeira Vermelha, de 2020.
Dois nomes constam das duas listas de indiciados: o empresário Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como líder do esquema, e o ex-gerente regional da ANM em Minas, Leandro César Ferreira de Carvalho. São eles os elos formais entre as operações.
O conjunto de imputações é extenso: organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes administrativas, falsidade documental e crimes ambientais.
O fio condutor, segundo as investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU), é o uso de planos de recuperação e de fechamento de mina como fachada para seguir lavrando em área protegida — um arranjo que um relatório anterior chegou a classificar como “distopia ambiental”.
A engrenagem que não parou após 2020
No relatório da Rejeito, a PF descreve uma organização criminosa estável, com divisão de tarefas em núcleos de liderança, investidores, administração financeira, operação, articulação institucional e agentes públicos. A estrutura, diz a corporação, ganhou corpo justamente depois da Poeira Vermelha: em vez de cessar as irregularidades, o grupo se reorganizou em uma rede de mais de 40 empresas, muitas delas sociedades anônimas usadas para ocultar patrimônio, dissimular receitas e blindar os beneficiários finais.
À frente estariam Alan Cavalcante do Nascimento, o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages e Helder Adriano de Freitas. O coração industrial e financeiro do esquema seria a Unidade de Tratamento Minerário (UTM) da Fleurs Global, projetada, segundo a PF, para processar cerca de 148,5 milhões de toneladas de minério — volume incompatível com a capacidade licenciada, de 3,8 milhões de toneladas por ano.
A diferença só fecharia com o abastecimento a partir de frentes de lavra em áreas tombadas e embargadas da Serra do Curral. A empresa teria sido desenhada para separar o centro de lucro do centro de responsabilidade, concentrando passivos ambientais como uma “pessoa jurídica-escudo”.
Para sustentar a operação, descreve o relatório, havia um padrão de corrupção em órgãos ambientais e de patrimônio: um voto favorável à Fleurs no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) mediante repasse de R$ 5 mil ao conselheiro Fernando Benício; minutas elaboradas sob demanda na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, com orientações para concluir documentos “antes das 17h”; e anuências atípicas no Iepha e no Iphan.
As planilhas apreendidas, registra a PF, projetavam um resultado líquido de R$ 3,8 bilhões para a Fleurs, condicionado ao fornecimento contínuo de minério extraído ilegalmente.
A Mina Corumi e a fachada da recuperação ambiental
A Parcours mira especificamente a extração de minério de ferro da União na Mina Granja Corumi, no bairro Jardim Taquaril, sem autorização da ANM e sem licenças ambientais válidas, em área tombada.
Como o Observatório revelou em abril de 2025, a exploração ao longo de 16 anos causou um dano ambiental calculado pela PF em R$ 832 milhões, além de R$ 11 milhões em compensação financeira (CFEM) não paga. Um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad) com prazo de quatro anos durou, ininterruptos, dezesseis — usado, segundo a investigação, como pretexto para a lavra, no que a CGU chamou de “contrassenso” e a PF, de “falsidade ideológica ambiental”.
No relatório de indiciamento, o advogado Luis Fernando Franceschini da Rosa é apontado como o principal gestor e controlador do grupo econômico que reúne Empabra, Green Metals e Fides. Lucas Prado Kallas aparece como gestor operacional da mina entre 2014 e 2018, e Alan Cavalcante, responsável pela Fleurs Global, como cogestor informal a partir de 2019 — exatamente o ponto em que, segundo a PF, a Corumi passa a abastecer a engrenagem da Rejeito. Também foram indiciados o empresário Bruno Luciano Henriques e técnicos como o geólogo Marco Túlio Naves de Carvalho, acusado de manipular dados para ocultar a lavra in situ.

O alto escalão da ANM no banco dos réus
O traço mais grave dos novos relatórios é o alcance dentro da própria agência reguladora. Não se trata apenas de servidores de ponta: a cúpula da ANM é alcançada. Na Parcours, é indiciado o diretor-geral Mauro Henrique Moreira Sousa, acusado de advocacia administrativa e associação criminosa por manter um “canal pessoal e privilegiado” de interlocução com os regulados.
Na Rejeito, está o diretor Caio Mário Trivellato Seabra Filho, preso preventivamente em setembro de 2025 e suspeito de receber R$ 3 milhões em propina para alterar decisões em favor do grupo, e o ex-diretor nacional Guilherme Santana Lopes Gomes.
Abaixo deles, o ex-gerente regional Leandro César Ferreira de Carvalho — o único, ao lado de Alan Cavalcante, a figurar nas duas operações — é descrito como agente público corrompido que continuou atuando mesmo afastado e até internado em uma UTI, segundo a investigação. O servidor Claudinei Oliveira Cruz completa o quadro na Parcours. As esposas de ambos, Janaísa Dias Mendes e Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz, foram indiciadas por lavagem de dinheiro.
A captura da ANM tem um instrumento recorrente, já mapeado pelo Observatório: as guias de utilização, autorizações de caráter excepcional que foram banalizadas para liberar extração sem licenciamento ambiental. Mesmo depois de um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2024, determinando a restrição dessas guias, o mecanismo seguiu em uso. O TCU chegou a suspender, em setembro de 2025, uma guia assinada por Seabra — no mesmo dia em que o diretor foi preso pela Polícia Federal.
Empresário Lucas Kallas, que aparece nas tramas, afirma que sua atuação foi regular
Indiciado na Parcours, Lucas Kallas é um dos empresários que mais reaparecem na trama. Foi um dos sócios que, a partir de 2014, criaram a Cia Mineradora Ferro Phoenix S.A. — depois Green Metals —, apontada pela PF como responsável pelas fraudes no Prad da Corumi. Kallas voltou ao noticiário em junho de 2026, em nova reportagem do Observatório, agora por outra frente: uma decisão da diretoria da ANM que beneficiou uma área valiosa de minério de ferro em Nova Lima, ligada à sua Cedro Mineração e à Extrativa Mineral.
A teia financeira e política em torno dele chama atenção. A irmã e sócia Francine Prado Kallas doou R$ 990 mil ao diretório nacional do PSD em 2022 e mais R$ 1 milhão ao PSD de São Paulo em 2024 — partido do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao qual a ANM é vinculada. Kallas também foi sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, no laboratório Biomm, e viajou com ele à Venezuela, em 2023, para prospectar negócios de mineração.
Procurada pelo Observatório em abril de 2025 e novamente em 2026, a defesa de Kallas afirmou que ele foi apenas sócio-investidor da Green Metals entre 2012 e maio de 2018, que nunca ocupou cargo na gestão da Empabra e que, até sua saída, as atividades eram regulares e amparadas por autorizações vigentes. Como os fatos centrais do inquérito seriam de 2023 a 2025, mais de cinco anos depois, a defesa considera “completamente descabida” a inclusão do empresário.
Em 2026, a assessoria de imprensa das empresas de Kallas e o próprio empresário optaram por não comentar os fatos apurados pelo Observatório. O espaço segue aberto para manifestação.
O caso Nova Lima e o atalho na diretoria colegiada
Este caso não é investigado pela Polícia Federal nas operações Rejeito e Parcours, mas inclui personagens importantes indiciados em ambas operações. Reportagem recente do Observatório detalhou como a diretoria da ANM reverteu uma decisão técnica para regularizar a área de Nova Lima. Em 2011, o empresário Rodrigo Valadares Andrade Gontijo, do Grupo AVG, deixou de pagar a taxa anual e perdeu a licença de pesquisa, com a caducidade concluída no ano seguinte. Mais de uma década depois, em agosto de 2022, ele recorreu — e a diretoria colegiada acabou derrubando o entendimento da área técnica. Em janeiro de 2024, um voto-vista de Caio Seabra contrariou o recuo do relator Guilherme Gomes, deferiu a reconsideração e destravou o relatório de pesquisa, aprovado em fevereiro.
No dia seguinte, os direitos foram transferidos à Extrativa Mineral/Cedro, de Kallas — empresa ligada a Carlos Adel de Freitas, sócio de Francine Kallas em pelo menos sete empresas. A concessão, avaliada com potencial de 860 mil toneladas de minério a teor de 54,9%, obteve licença para operar em junho de 2025. Uma auditoria da CGU concluída em setembro de 2025 sugeriu reavaliar os votos; em março de 2026, o diretor José Fernando de Mendonça Gomes Júnior votou pela invalidação. Em abril, porém, a Justiça Federal suspendeu a anulação por liminar, reconhecendo a Extrativa como “terceira de boa-fé”.

Do ferro ao lítio: a ONG que ajudou a encolher uma área protegida no Jequitinhonha
O alcance do esquema original investigado pela PF não se limita ao ferro da Serra do Curral. Um dos nomes citados na Rejeito — Fernando Benício de Oliveira Paula, o conselheiro do Copam apontado por receber R$ 5 mil para votar a favor da Fleurs — também dirige uma organização social, a Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta, que representa a sociedade civil em oito colegiados do conselho ambiental mineiro e tem direito a voto no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Como mostrou o Observatório, a ONG pagou R$ 8 mil por um estudo técnico que embasou a redução da Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Lagoão, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, de 24,8 mil para 10,7 mil hectares — medida que favorece mineradoras de lítio interessadas na região, como a americana Atlas e a Sigma Lithium, e que enfrentou a oposição de ambientalistas, movimentos sociais e do Ministério Público de Minas Gerais. O MPMG chegou a obter a suspensão da tramitação do projeto de lei, depois anulada em segunda instância após recurso da Prefeitura de Araçuaí.
A ponte com o esquema de ferro está no mesmo personagem: segundo a investigação, Fernando Benício e a mulher, Neide Nazaré de Souza — também com assento em colegiados do Copam —, receberam os R$ 5 mil após encontros para aprovar os pleitos da Fleurs na Câmara de Atividades Minerárias. Com bens bloqueados pela Justiça, Benício afastou-se “voluntariamente” da ONG em 17 de setembro de 2025, dia da deflagração da fase ostensiva da Rejeito.
Em nota, a Zeladoria do Planeta negou ser alvo da operação e disse desconhecer qualquer citação sobre o repasse de R$ 5 mil, além de negar o envolvimento de Neide Nazaré. A Semad, a consultoria Arcos Verdes — autora do estudo que propôs a redução da APA —, as mineradoras Atlas Lithium e Sigma Lithium e a Prefeitura de Araçuaí foram procuradas e não responderam até o fechamento da reportagem original.
Outro lado
Em nota ao Observatório, a ANM afirmou que o caso de Nova Lima passou por “revisão administrativa” regular pela diretoria colegiada e ressaltou que o diretor-geral Mauro Henrique Moreira Sousa foi voto vencido na decisão que reverteu o parecer técnico. A agência não detalhou a situação dos demais servidores citados, alegando sigilo. O Ministério de Minas e Energia não comentou as relações do ministro com os envolvidos. As empresas AVG e Cedro/Extrativa não responderam às perguntas ou recusaram comentar.
A defesa de Bruno Henriques afirmou que, como sócio indireto, ele não tomou parte na gestão e desconhecia irregularidades. A ex-superintendente do Iphan em Minas Débora França, indiciada na Rejeito, classificou as alegações como um “equívoco”. As defesas de Leandro César Ferreira de Carvalho e de Claudinei Oliveira Cruz não foram localizadas.
O espaço segue aberto para manifestação de todos os citados.
Para o Observatório da Mineração, o conjunto dos relatórios expõe menos uma sucessão de brechas isoladas do que um eixo estrutural: uma agência reguladora fragilizada, com decisões colegiadas que se sobrepõem a pareceres técnicos e uma porta-giratória entre o público e o privado que segue girando — enquanto a Serra do Curral, cartão-postal tombado de Belo Horizonte, continua no centro da disputa pelo minério de ferro.
Veja a lista dos indiciados
Abaixo, os nomes que constam dos dois relatórios finais da Polícia Federal, com o papel atribuído a cada um e as acusações registradas. Apenas dois indiciados aparecem nas duas operações: o empresário Alan Cavalcante do Nascimento e o ex-gerente regional da ANM em Minas Leandro César Ferreira de Carvalho.
Operação Rejeito — 34 indiciados
- Alan Cavalcante do Nascimento [nas duas operações] — empresário, apontado como líder (Fleurs Global / Gute Sicht). Organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
- Helder Adriano de Freitas — empresário, apontado como líder. Organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
- João Alberto Paixão Lages — ex-deputado estadual, apontado como líder. Organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
- Noêmia dos Santos — direção administrativa-financeira do grupo (setor privado). Organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e crimes ambientais.
- Felipe Lombardi Martins — operador financeiro (“o homem da mala”). Organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência.
- Jamis Prado de Oliveira Júnior — operador de empresas de fachada. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e falsidade ideológica.
- Diana Morais Aleluia Prado — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
- Alexandre Ignácio Gomes Abrantes — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
- Alany Cavalcante do Nascimento — irmão de Alan Cavalcante. Organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
- José Newton Kury de Oliveira Coelho — apontado como “arquiteto” das empresas de fachada. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
- Luiz Alberto Monteiro de Barros (Zeca) — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e crimes ambientais.
- Luiz Felipe Ribeiro Monteiro de Barros — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
- Henrique Costa de Seabra — irmão do diretor da ANM Caio Seabra. Organização criminosa, tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
- Jaime Eduardo Fonseca — setor privado. Organização criminosa, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crimes ambientais.
- Rafael Nogueira Brandão — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e falsidade ideológica.
- Lucas Fraga Cruz Cerqueira — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e falsidade ideológica.
- Gustavo Rezende Calçavari — advogado e empresário. Organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crimes ambientais.
- Gabriel Thadeu Baya Andrade — setor privado. Organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
- Pablo César de Souza (Pablito) — setor privado. Organização criminosa, crimes ambientais, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
- Danilo Vieira Júnior — ex-secretário de Meio Ambiente de Nova Lima. Organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
- Débora Maria Ramos do Nascimento França — ex-superintendente do Iphan em Minas Gerais. Organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
- Ênio Marcus Brandão Fonseca — ex-superintendente do Ibama em Minas Gerais. Organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
- Gilberto Henrique Horta de Carvalho — geógrafo e lobista (GH Sustentabilidade). Organização criminosa, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
- Rodrigo Gonçalves Franco — presidente da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental (documento falso).
- Vitor Reis Salum Tavares — ex-gestor ambiental da Semad. Organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental (documento falso).
- Lirriet de Freitas Libório — chefe de unidade regional da Feam. Organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e crime ambiental (documento falso).
- Arthur Ferreira Rezende Delfim — diretor da Feam. Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental (documento falso).
- Fernando Baliani da Silva — servidor da Feam. Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental (documento falso).
- Breno Esteves Lasmar — diretor-geral do IEF (Instituto Estadual de Florestas). Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental (documento falso).
- Leandro César Ferreira de Carvalho [nas duas operações] — ex-gerente regional da ANM em Minas Gerais. Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e crime ambiental (documento falso).
- Guilherme Santana Lopes Gomes — ex-diretor nacional da ANM. Prevaricação, organização criminosa, corrupção passiva e crime ambiental (documento falso).
- Caio Mário Trivellato Seabra Filho — diretor da ANM. Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental (documento falso).
- Fernando Benício de Oliveira Paula — conselheiro do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental). Organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental (documento falso).
- João Paulo Martins — servidor público. Organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e crime ambiental (documento falso).
Operação Parcours — 17 indiciados (Mina Granja Corumi)
- Luis Fernando Franceschini da Rosa — advogado, apontado como principal gestor e controlador do grupo (Empabra, Green Metals, Fides). Usurpação de matéria-prima da União, lavra sem autorização, crimes ambientais, falsidade ideológica ambiental, corrupção ativa, fraude processual, organização criminosa e lavagem de capitais.
- Lucas Prado Kallas — empresário, gestor operacional da mina entre 2014 e 2018 (Green Metals; hoje Cedro / Extrativa Mineral). Usurpação de matéria-prima da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e indícios de corrupção ativa ou tráfico de influência perante órgãos ambientais.
- Alan Cavalcante do Nascimento [nas duas operações] — empresário (Fleurs Global); cogestão informal da Mina Corumi a partir de 2019. Usurpação de matéria-prima, extração e transporte sem licença, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
- Bruno Luciano Henriques — sócio-investidor e beneficiário econômico (Green Metals / Aroeira). Usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
- Nilo Antonio Soares Norden — diretor de logística e operador operacional. Usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa e lavagem de dinheiro vinculada à comercialização do minério.
- Ana Laura Braga de Carvalho — coordenadora jurídica e diretora institucional do grupo. Associação criminosa, falsidade ideológica ambiental e participação em estratégias para manter a lavra sob aparência de recuperação ambiental.
- Kellen Roberta Rocha da Silva — gerente administrativa e diretora financeira. Associação criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude processual e concorrência para usurpação mineral por meio da gestão documental e financeira.
- Marco Túlio Naves de Carvalho — geólogo e gerente operacional. Falsidade ideológica ambiental, usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa e fraude processual.
- Rômulo Gabriel Araújo Dias — engenheiro responsável pelas operações de campo. Usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa, falsidade ideológica ambiental e fraude processual.
- Mauri Lopes Ferreira — geólogo consultor contratado para emitir laudos. Falsidade ideológica ambiental e participação em fraude processual.
- Leandro César Ferreira de Carvalho [nas duas operações] — ex-gerente regional da ANM em Minas Gerais. Corrupção passiva, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e facilitação de usurpação mineral.
- Claudinei Oliveira Cruz — servidor da ANM. Corrupção passiva, associação criminosa, falsidade ideológica ambiental, fraude processual e lavagem de dinheiro.
- Mauro Henrique Moreira Sousa — diretor-geral da ANM. Advocacia administrativa e associação criminosa, pela manutenção de canal pessoal e privilegiado com os regulados.
- Heleno Maia Santos Marques do Nascimento — conselheiro ambiental (Copam / CBH Paraopeba). Corrupção passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa e associação criminosa.
- Nívio Tadeu Lasmar Pereira — geólogo e consultor, intermediário remunerado perante a ANM. Corrupção ativa, intermediação de influência, associação criminosa, falsidade ideológica e fraude processual.
- Janaísa Dias Mendes — esposa de Leandro César Ferreira de Carvalho. Lavagem de dinheiro e associação criminosa, por usar suas contas para ocultar recursos incompatíveis com a renda declarada.
- Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz — esposa de Claudinei Oliveira Cruz. Lavagem de dinheiro e associação criminosa, pela ocultação de vantagens indevidas recebidas pelo marido.
Matérias publicadas sobre o caso
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