Guia sobre greenwashing e desinformação corporativa no setor mineral

Este guia analisa o greenwashing e a desinformação corporativa no setor mineral — práticas que projetam uma imagem ambientalmente responsável descolada da realidade dos territórios. É uma estratégia de gestão de reputação que pode ser enquadrada como publicidade enganosa ou abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor e que, no contexto da crise climática, opera como ferramenta de desinformação.

A “sustentabilidade” tornou-se a principal mercadoria do setor. Mineradoras e entidades como o IBRAM vendem a mineração como “salvação climática” e pilar da transição energética, apropriando-se de termos como “alumínio verde”, “lítio verde” e “mineração sustentável” para justificar a expansão extrativa enquanto omitem passivos socioambientais. Casos como Vale, Norsk Hydro, Anglo American, Sigma Lithium e Braskem ilustram a distância entre a propaganda e o território, e estudos mostram que a mineração lidera os índices de greenwashing em anúncios analisados.

O conceito de maquiagem verde sob medida (tailored greenwashing) descreve como uma mesma empresa calibra o discurso para cada público — investidores, consumidores, reguladores e comunidades —, valendo-se da divulgação seletiva de dados positivos e da omissão dos negativos. É a contradição de fundo de uma atividade finita e não renovável que se apresenta como “verde”.

O guia mapeia os sinais de alerta do setor: cooptação de lideranças, astroturfing, desinformação intencional e compra de influência, woke-washing, guerra de laudos, intimidação judicial (SLAPP), falsas soluções e chantagem econômica — reconhecendo também o repertório clássico da negação climática e dos discursos de “atraso”.

Defendemos caminhos de enfrentamento: punir publicidade enganosa; exigir transparência e “seguir o dinheiro”; desmonetizar a desinformação nas plataformas; investir em prevenção (prebunking) e moderação; garantir proteção jurídica a defensores (lei anti-SLAPP) e fortalecer a integridade da informação climática, em linha com a Declaração da COP 30 e a atuação de instituições como MPF, Defensorias e AGU/PNDD.

É preciso conhecer as estratégias da indústria mineral para combater práticas que ferem o interesse público e comprometem ações que podem mitigar a crise climática.

Para que a vida na Terra esteja em condições razoáveis nas próximas décadas e a inaceitável desigualdade global diminua, entender o cenário para uma ação qualificada é o primeiro passo. É um dos propósitos deste guia.

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