O Cerrado ocupa quase um quarto do território brasileiro e abriga nascentes que alimentam oito das doze regiões hidrográficas do país. Hoje é também o centro da corrida brasileira por terras raras. É no norte, noroeste e oeste de Goiás que se concentra a expansão dos processos para minerais críticos. Em Minaçu (GO) está a Serra Verde, única mina de terras raras em operação no Brasil, multada pelo desmatamento de nascentes e com venda à USA Rare Earth anunciada por cerca de US$ 2,8 bilhões. Em Nova Roma, na região do Kalunga, o maior território quilombola do país, avança o projeto Carina, da canadense Aclara, sem registro de consulta prévia concluída. Goiás reúne ainda 53 processos de terras raras sobre assentamentos rurais e cerca de um quinto dos requerimentos de minerais críticos que incidem sobre territórios quilombolas no Brasil. A região já convive com a mineração de nióbio, fosfato e níquel, hoje em boa parte sob controle chinês.
O novo factsheet do Observatório da Mineração organiza esse quadro em sete eixos: panorama do bioma, sobreposição com áreas protegidas, impactos hídricos, direitos quilombolas e indígenas, empresas e projetos, governança e cenários até 2030, além do que dizem os estudos mais recentes. O material trata da lei goiana 23.597/2025, que criou zonas especiais com prioridade de licenciamento e tem constitucionalidade questionada por juristas, da disputa entre o governo estadual e o federal pelo subsolo e dos riscos da lixiviação de argila iônica para a água, documentados pela literatura científica. Também mostra que apenas 9,93% da compensação ambiental pactuada em Goiás entre 2019 e 2025 foi executada. O factsheet se destina a jornalistas, pesquisadores, organizações e gestores públicos que acompanham os efeitos da transição energética no bioma.
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