Factsheet – Lítio

Os pegmatitos do Vale do Jequitinhonha (MG) sustentam quase toda a produção brasileira de lítio. Em 2024, a produção chegou a 944 mil toneladas de concentrado de espodumênio, uma alta de 71% sobre o ano anterior, o que corresponde a cerca de 4% da oferta mundial. O Brasil ocupa a 7ª posição no ranking global de reservas. Quase todo o volume é exportado como concentrado, e a China recebe 97% do valor. A CBL é a única empresa que faz processamento químico no país, ainda em pequena escala, e o setor é controlado sobretudo por capital canadense, australiano, holandês e americano. A maior produtora, a Sigma Lithium, reúne as principais disputas do setor: embargo da Feam em julho, interdição de pilhas de rejeito pelo Ministério do Trabalho e, em 4 de setembro de 2026, uma decisão da Justiça Federal que suspendeu suas licenças até a consulta ao Quilombo do Baú, em Araçuaí. A empresa recorre e mantém a produção.

O novo factsheet do Observatório da Mineração organiza esse quadro em seis eixos: dados gerais, mercado e acionistas, impactos socioambientais, geopolítica, incertezas e o que dizem os estudos mais recentes. O material reúne reservas, produção, exportações e o pipeline de projetos da Atlas, da Pilbara e da Lithium Ionic, e explica por que números em concentrado, lítio contido e LCE convivem para o mesmo ano. Também documenta a falta de consulta prévia a indígenas e quilombolas, a pressão sobre a água, a qualidade do ar nas comunidades vizinhas às minas, o empréstimo de R$ 487 milhões do BNDES à Sigma e a crise de fiscalização na ANM. Entre os temas geopolíticos estão a dependência do refino chinês, as negociações com os EUA e a nova Política Nacional de Minerais Críticos, aprovada pelo Senado. A recuperação dos preços desde 2025 reabre a perspectiva de expansão, mas a viabilidade dos projetos segue dependente de preço, licença e das disputas judiciais em curso.

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