Observatório da Mineração participa do maior evento de jornalismo investigativo do mundo

Mais de 1700 jornalistas investigativos de 130 países se reuniram no fim de setembro em Hamburgo na Alemanha para a sua conferência que, entre outros destaques, reafirmou que o jornalismo não é um crime e não pode ser criminalizado. Ao contrário, no entanto, do que os fatos provam sobre boa parte das práticas que as mineradoras tem no currículo.

Tive a honra de ser convidado por David Kaplan, diretor executivo da Global Investigative Journalism Network (GIJN), e falei em dois painéis sobre o trabalho que realizo no Observatório da Mineração desde 2015, as violações do setor mineral no país e como investigar indústrias extrativistas.

No primeiro painel, “Digging into the Extractives Industry“, realizado dentro do impressionante prédio do grupo Der Spiegel, referência de jornalismo no mundo, falei ao lado de colegas do Natural Resource Governance Institute, que lançou um novo guia para que jornalistas interessados em cobrir mineração e extrativismo possam se basear.

Participaram também Milagros Salazar, fundadora do site Convoca, do Peru, Khadija Sharife, investigadora da OCCRP na África do Sul, Stephen Nartey, de Gana e a moderadora Anya Schiffrin, dos Estados Unidos, uma das autoras desse material espetacular da GIJN. Essa notícia também apresenta algumas das fontes citadas e as dicas que compartilhamos.

No segundo, “Investigating Disasters“, falei ao lado de colegas de Porto Rico, Nepal e Moçambique sobre como o Brasil consegue criar seus próprios desastres e o quê os casos de Mariana e Brumadinho representam.

O trabalho realizado por Omaya Sosa, Carla Minet e outros jornalistas no Centro de Jornalismo Investigativo em Porto Rico é absolutamente impressionante: o Centro simplesmente liderou a apuração sobre as vítimas do furacão Maria em 2017 e foram a principal referência local e mundial sobre o ocorrido. Esse hotsite reúne toda a cobertura de mais de 1 ano e serve como cobrança permanente para os trabalhos de recuperação.

Você pode acessar as minhas duas apresentações e os dois “tipsheets”, pequenos guias para cobertura jornalística, nos links abaixo, disponibilizados em inglês no site do evento. Breve e direto, cumpre o objetivo de partilhar um pouco da minha experiência aqui no Observatório e como jornalista por aí. E também cito o material que os colegas fizeram:

Investigating DisastersMethods, Techniques & Beyond, by Maurício AngeloLooking into the Mariana & Brumadinho mining disasters, by Maurício Angelo
Digging into the Extractives IndustryWhat’s behind the story? Multinationals, people, causes & more, by Maurício Angelo
Finding Data & Tracking the Cash Flow, by Kwetey Nartey
Investigating the Allocation of Resource Rights, by Asmara Klein
Overview on Brazil Mining & Vale, by Maurício Angelo
How we investigate extractive industries in Latin America? , by Milagros Salazar Herrera

A troca de conhecimento durante os 5 dias de evento com jornalistas que fazem um trabalho admirável e necessário em todos os cantos do planeta, alguns sob as condições mais adversas possível, sem dúvida é um combustível para seguir mostrando o que as mineradoras não querem que você saiba. Como a história recente do Brasil mostra – para ficar só nela – material é o que não falta.

Há que se registrar o empenho da Global Investigative Journalism Network pelo evento incrível e que sem dúvida demanda um esforço gigantesco de organização para além da importância vital do seu conteúdo em uma época em que as democracias são francamente ameaçadas pela ascensão do fascismo alimentado por notícias falsas e que vive de fazer do jornalismo o seu inimigo. Também agradeço a Abraji e toda a turma que esteve por lá comigo.

O trabalho continua mais firme do que nunca.

Maurício Angelo

Jornalista investigativo especializado em mineração, Amazônia, Cerrado, conflitos socioambientais, povos indígenas, crise climática e direitos humanos.

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